Rolês e romances com Emily In Paris

Existe uma categoria de série que minha esposa e eu chamamos de “séries bobinhas”, que são aquelas que são leves de assistir, normalmente poucos episódios, com roteiros bem rasos, que não fazem a gente ter que pensar muito sobre. A última que tínhamos visto foi Anne With An E lá em abril e desde então ficamos órfãos (como a Anne era) até descobrirmos Emily In Paris.

Lançada recentemente pela Netflix, a primeira temporada tem 10 episódios de uns 20 minutos cada, e foi exatamente na medida do que precisávamos para se entreter no fim de noite.

Então, falarei aqui o que achei da série tentando evitar os spoilers.

 

Conteúdo leve, rápido e palatável

Para mim o grande trunfo dessa série é ser bem leve, quase numa pegada adolescente, com uma trama bem simples.

A sinopse é a seguinte: Emily é uma profissional de marketing de Chicago que recebe a oportunidade de ir trabalhar na filial em Paris, só que sem saber uma palavra do idioma local. Os problemas da protagonista giram em torno dessa inabilidade, pois apesar de ser uma ótima profissional, a cultura e a língua local causam muitas confusões (leia com a voz da Sessão da Tarde).

E a primeira temporada é toda sobre isso, Emily descobrindo Paris. Conhecendo lugares, pessoas e vivendo situações, tudo de forma bem leve e divertida, enquanto ela documenta tudo isso no seu Instagram chamado @emilyinparis e isso que move a trama.

No fim das contas é como se tivéssemos acompanhando alguém do nosso convívio social, que se mudou para Paris, e ao meu ver, isso é o ponto da série que mais conecta com o espectador.

No meu caso em particular, por também trabalhar com marketing, as situações de agência são totalmente relacionáveis com meu dia-a-dia.

 

Malhação encontra Diabo Veste Prada

Agora entrando na parte mais técnica, as situações do roteiro são bem previsíveis na maioria dos casos, usando de fórmulas clássicas de filmes de comédia romântica dos anos 90 e 2000.

Os dramas da protagonista se assemelham com os da personagem Ady do filme O Diabo Veste Prada, pois ela também tem uma chefe durona que a antagoniza o tempo todo. Talvez a semelhança seja de propósito, pois até o modo de se vestir da personagem Emily lembra o da Andy.

Contudo, na série esse conflito no trabalho é desenrolado de uma forma mais simples e divertida, forçando sempre o tom cómico, fazendo uso de coadjuvantes bem caricatos para tal.

Na minha análise, a série usa essa fórmula de roteiro, com conflitos cotidianos para jogar seguro e assim apostar no carisma dos personagens para ser o grande predicado da série. Mas isso vou falar nos pontos positivos

Lily Colins ressurgindo

Lily Colins interpreta o papel principal de Emily e aparentemente foi um acerto surpreendente para a série. Há tempos que não víamos a atriz num papel de destaque e talvez a carreira dela não tenha sido tão meteórica quanto se esperava, mas aqui acredito eu, que ela encontrou o nicho certo para trabalhar.

Ela tem essa coisa meio Sandy (Sandy & Junior), de mulher com cara de menina, do tipo que pode se passar por uma adolescente facilmente, mas com o figurino certo vira um mulherão.

A séria se aproveita bem dessa característica, pois como ela está indo para um mundo totalmente novo, esse ar de ingenuidade ajuda a gente a ter mais empatia pela personagem, que nas interações mostra muito carisma e faz um contraponto com sua aparência, agindo como uma mulher bem obstinada, decidida e com princípios morais bem definidos.

E desses princípios morais é que surgem os grandes conflitos da série que vou evitar para não dar spoiler.

Os personagens coadjuvantes são muito bons também, com destaque para os colegas da agência Julien e o excêntrico Luc, e para a primeira amiga de Emily na cidade, a Mindy. Todos são carismáticos e engraçados, funcionando bem como alívios cómicos, assim a série não deixa que momentos de tensão perdurem por muito tempo e faz esse balanço, que na maior parte do tempo vem na medida certa.

Existe o conflito na série que gera muitas tensões e até momentos de vergonha alheia, mas rapidamente o roteiro e a edição tentam levar o espectador de volta para o clima leve e divertido.

Outro ponto que me agradou muito, são as tomadas da cidade de Paris, pois são tantos lugares bonitos e bem filmados, que a cada episódio a vontade de turistar pela França aumenta.

Palmas para fotografia da série nesse sentido, pois é tudo muito colorido e vivo, colaborando para atmosfera de leveza da atração.

Passatempo perfeito para fugir da realidade

Enfim, eu recomendo muito a série Emily In Paris para quem quer uma programação leve, quase novelística para curtir.

Ela vai te entregar exatamente o que promete: 20 minutos de distração, sem que você tenha que pensar muito.

É ótima para maratonar e com certeza vai ser algo para te desestressar depois de um dia corrido.

Pelo menos foi assim para minha esposa e eu, que agora estamos mais uma vez órfãos de uma série “bobinha” para ver antes de dormir.

Enquanto isso, assista Emily In Paris e me conte o que achou.

 

Nota: 3,5/5.

Arte da Capa:

 

 

This category only includes cookies that ensures basic functionalities and security features of the website. viagra pill These cookies do not store any personal information.

Deixe um Comentário